sábado, 15 de fevereiro de 2014

Divagações sobre a felicidade...

Estava a pensar. Todo mundo quer saber de onde vem a felicidade. Como se faz para ser feliz. Não tenho tanta experiência de vida assim. Talvez uma pessoa de mais idade pudesse dar uma opinião melhor. Porém, ao longo dos meus trinta e uns quebrados, já notei algumas coisas no caminho da busca pela felicidade. Resumo, abaixo, as principais orientações. Não vou chamá-las de regras para não ficar chato.

Orientação nº 1. Compreendi que usar maquiagem nos problemas só faz exaltar os pontos fracos destes. Problema você vislumbra de frente, de costas, de lado, de todos os ângulos, e sem máscaras, até se ater aos seus pormenores. Aí você faz um diagnóstico da situação e o resolve logo, da melhor forma possível, nem que tenha de fazer alguns sacrifícios momentâneos. Maquiar a questão só vai prolongar o seu sofrimento. Se não depender somente de você a solução, paciência. Faça sua parte. Deixe que a sensatez se encarregue do resto. Então, por favor, deixemos o batom e o rímel para onde devem ser usados - a boca e os cílios, respectivamente.

Orientação nº 2. Se você tiver talento ou dom para alguma coisa, mergulhe nele. Qualquer tipo de arte é divino. Edifica. Acalma. Enobrece. Mexer com arte é uma das melhores coisas que existem. Eu mesma, depois que resgatei meu lado musical, recuperei também minha sensibilidade para os detalhes da vida. E por que não dizer minha autoestima? É uma felicidade que não tem explicação racional. Essa orientação vale também para quem gosta de esporte. Para mim, esporte também é um tipo de arte. Nessa parte, também me considero bem, pois encontrei meu ponto de equilíbrio no Muay Thai.

Orientação nº 3. Ela só vale se você, espontaneamente, decidir segui-la. Do contrário, só irá aumentar a sua infelicidade e a dos outros. Então vamos lá. Procure ser útil, de alguma forma, para as pessoas ao seu redor. Faça trabalhos voluntários. Doe-se nem que seja um pouquinho. E doar não significa contribuição para a parte material tão-somente. Saber ouvir o outro, dar orientação, dar afeto, fazer o próximo sentir-se amado são formas de caridade relevantíssimas e que, muitas vezes, já bastam. Dissemine o bem. Ninguém está obrigado a querer ser Jesus ou Buda, claro. Entretanto, quanto mais você seguir os passos de espíritos de luz com ações, mais leve e feliz você irá sentir-se. Pelo menos, comigo, ocorre isso.

Orientação nº 4. Sei que isso já virou “chavão”, mas preste atenção ao seu redor. Regozije-se com as pequenas coisas do dia-a-dia. O fato de você estar vivo e com saúde; de ter condições financeiras de alimentar-se bem; de receber aquele telefonema de alguém que só está interessado em saber como você vai; de poder andar com suas próprias pernas, literalmente; de receber um abraço bem apertado de um filho; de cozinhar; de tocar um instrumento; de confraternizar com os amigos em casa ou fora dela. Se você olhar em volta, irá perceber como você é feliz e não havia se apercebido disso, pois a maioria das pessoas não tem a mesma sorte que você.

Orientação nº 5. Eu havia escrito alguma coisa sobre o amor. Contudo, lembrei-me daquele velho dito popular: “Coração é terra na qual ninguém manda”.  E pensei na canção de Tom Jobim e Newton Mendonça, Caminhos Cruzados, a qual tem um trecho que diz o seguinte: “Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar/ nas coisas do amor que ninguém pode explicar (...)” e que tive a oportunidade de interpretar uma vez publicamente. Então desisti de falar sobre esse assunto. Qualquer palavra se tornaria besteira.

Por enquanto, é isso. Não sei se alguém concorda com elas. Mas foi isso que percebi nesses anos de vivência. De resto, é só por em prática o que o Titãs diz naquela bela composição de Sérgio Britto, “Epitáfio”: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...devia ter me importado menos, com problemas pequenos, ter morrido de amor...”. Sem mais!! Tenham uma ótima semana, amigos!!!

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