sábado, 15 de fevereiro de 2014

Ai, o amor carnal!!

O amor aparece naturalmente, oriundo de qualquer lugar e em qualquer ocasião. Também não escolhe endereço para aportar. Ele vai entrando sem qualquer cerimônia. Quando atrelado à paixão, normalmente vira a pessoa de ponta à cabeça. E aí tudo o que se quer é segurar o juízo. Outras vezes ele vem de uma forma muito mansa, quase imperceptível. Depois vai se consolidando. Ou seja, não há fórmula certa para o amor. Aqui, estamos no campo das constantes incertezas. Não é dado ter-se garantia da mínima coisa. E é exatamente por isso que ele causa tanta dor, de vez em quando.

Uma vez instalado, é preciso assegurar que ele não se alimente apenas de migalhas, pois não irá sustentar-se por muito tempo. Isso porque ele reclama o gasto de muita energia para se manter vigoroso. Portanto, simples migalhas não bastam para nutrir a paciência, a dedicação e a entrega que ele, naturalmente, pleiteia. E isso deve ser uma coisa recíproca. Observo que existem pessoas, em número até razoável, vivendo sempre do que resta das sobras do outro, como se o seu amor pela outra pessoa fosse suficiente para suprir a falta de amor desta. Não é. Quando se chega a tal ponto, precipita-se também a hora de partir daquela relação.

E eis aí um dos aspectos mais complicados das relações afetivas – saber reconhecer o momento de partir. Nunca, mas nunca mesmo, é uma coisa fácil, em especial para quem ainda ama e para quem vive na ilusão de que ainda ama ou é amado. A maturidade, o autoconhecimento e o amor próprio vão contar muito nessa fase. Esse último, então, deve assumir o papel principal do enredo e ditar as regras dali para a frente. É uma etapa em que a pessoa deve permitir-se ser egoísta sem culpa, olhar mesmo para o seu próprio umbigo, haja vista que já passou muito tempo dando conta somente do umbigo do outro, não raras vezes.

Outra coisa que se deve repensar, sobre o amor, é aquela velha mania de ficar condicionando o sucesso da relação afetiva ao seu tempo de duração. Nesse ponto, concordo plenamente com a psicóloga Lígia Guerra. O fato de um relacionamento ter durado pouco tempo não significa dizer que ele foi fracassado, e vice-versa. Não é difícil encontrar pessoas que tiveram relacionamentos de curta duração, mas que foram muito mais intensos e satisfatórios do que outras relações mais duradouras no tempo. E não é uma coisa rara, ainda, notar casamentos que, formalmente, já duram anos, porém, intimamente, já perderam o brilho há muito tempo, perdidos na falta de respeito e de entrosamento entre os consortes. A cereja do bolo está em saber extrair o melhor de cada relação, seja ela longa ou curta, e saber lidar com o término.

Bom, é isso. Cada pessoa é única em sua forma de agir e de enxergar o mundo. E, quando se trata de relações interpessoais, toda fórmula se torna obsoleta. O desafio de nós todos é saber lidar com tantas individualidades. 

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